Old but gold: nada como um bom revival fashion (de inverno)

MODA

Se tem uma coisa que a gente ama, é um bom revival, ainda mais quando se trata de um revival fashion, né!? Nada como poder tirar do fundo do armário aquelas peças que a gente amaaava e estava louca pra ter uma boa oportunidade pra usar de novo

E, óbvio, se teve uma temporada que deixou evidente esse gosto do mundo da moda pelo resgate de antigos hits fashion, foi a última temporada, em que várias marcas (quase todas!) apostaram em antigas tendências para suas coleções de inverno 2018. Por isso, fiz uma seleçãozinha dos revivals mais icônicos desta temporada pra vocês, olhem só:

Tive que começar, claro, com um dos maiores destaques da última temporada de desfiles que, fora todo o desfile da Dior, ganhou o maior holofote de todos: a volta da saddle bag! A saddle bag, se você não é dessa época ou só não ouviu falar dela, foi uma bolsa dos anos 2000, lá da época de Galliano na Dior, que virou hit quando caiu no gosto de ninguém menos que Sarah Jessica Parker. No caso, caiu mesmo no gosto da personagem de SJP, Carrie Bradshaw, que sempre aparecia na TV com sua saddle à tiracolo. Aí já sabe, né!? Depois disso, virou hit e agora Maria Grazia resolveu resgatar essa belezinha icônica, afinal, as it bags (dos anos 2000) voltaram à ganhar holofote, já repararam? No caso da saddle bag, que antes vinha com o monograma da marca (fora as mil e uma edições limitadas que foram lançadas devido ao sucesso da bolsa), foi resgatada e trazida em versões clássicas e outras com patchwork (a coleção estava bem vibe de protesto dos anos 60)

Pucci resolveu olhar pras suas próprias origens e resgatar o início da história de sucesso da marca, que pra quem não sabe, começou bastante por acaso, já que Emilio Pucci (na época, piloto da aeronáutica italiana), sempre apaixonado por esportes, ofereceu a uma amiga um traje de esqui que havia idealizado (uma calça comprida levemente ajustada na cintura, um pulôver, uma camisa e um casaco desenhado como uma parka com capuz e bolsos frontais). Aí a história fluiu e até parece conto de fadas: a fotógrafa americana Toni Frissel, que trabalhava para a Harper’s Baazar, se animou com o traje esportivo de Pucci e caprichou nas fotos, que acabaram nas mãos de Diane Vreeland, a editora chefe da revista, que publicou em dezembro de 1947 um artigo falando das criações de Pucci — no caso, era um único traje de esqui —, que imediatamente viraram febre e foram vendidas para 2 lojas de departamento da 5ª Avenida. Daí, o resto é história, já que Pucci percebeu todo o potencial daquilo, passou a desenvolver tinturas inéditas com seda e algodão. Aí, esse ano voltar às origens fez todo sentido pra marca que trouxe suas roupas de esqui numa versão 2.0 e com estampas (ainda mais) incríveis, sem falar que são mega adaptáveis e usáveis em combinações do dia-a-dia!

Que Olivier e seu Balmain Army são pra lá de futuristas, a gente já sabia, mas acho que ninguém estava esperando uma coleção à la Vingador do Futuro com viajantes vindos do futuro para salvar o passado, né!? Só que quando se trata de Olivier Rousteing (sou muito fã dele, admito!), dá pra gente esperar tudo e mais um pouco, então, acho que nem foi surpresa ver looks furtacor cruzando a passarela… Ou foi? O furtacor, se você não sabe, é aquele tom holográfico que combina todas as cores numa só, sabe qual é? E, olha, que não foi só a Balmain que trouxe o furtacor no seu inverno (apesar de ter sido o maior destaque de todos), mas marcas como Area NYC, Sies Marjan, Christian Siriano também trouxeram essa cor pros seus desfiles, destacando essa influência futurística dos anos 80 em suas coleções.

Ah, e quando eu falei ali em cima de hits dos anos 2000, quase que eu me esqueci da logomania… Mas como alguém se esquece da logomania? Até porque as marcas estão enlouquecidas de novo com essa proposta bem anos 2000 de deixar em tudo quanto é lugar seu logo bem grandão e em evidência. Pode ter tido muita gente que apostava que a fase de quase vitrines humanas tinha acabado, mas a verdade é que a logomania está mais in do que nunca (talvez mais discreta do que antes?) e apareceu em desfiles como Off-White, Fendi, Versace, Dolce & Gabbana, Jeremy Scott e Philipp Plein

E se você me perguntar se tem uma década que eu acho que tá com tudo, te respondo sem pensar duas vezes: ANOS 80! Isso mesmo, até porque, o quê do destaque dos anos 80, tem a ver muito mais com a ideia que as marcas querem imprimir do que com a roupa que elas querem vender ou vestir as pessoas, em si. Se você procurar um pouco sobre a história dos anos 80, essa foi a década da autoridade feminina, foi a década em que as mulheres estavam dominando o mercado de trabalho ou que elas não estavam nem aí se iam usar mil e uma camadas de roupa no corpo e iam deixar de ser femininas… Elas simplesmente não estavam nem aí! E é isso, de uma forma bem contextualizada (e até poética, pode ser?), que as marcas querem dizer quando resgatam antigas tendências como os shapes super oversized, por exemplo. As camadas de muito muito muito volume (de sobreposição ou de casacos amplos) foram tendência no início dos anos 80 — a mulher de meados dos anos 70 começou a exagerar no volume e essa tendência se manteve nos anos 80 —, sempre com camadas da cintura pra cima, investindo nesse layering, ou apenas apostando em casacos volumosos, meio que escondendo a forma feminina e demonstrando muita autoconfiança pra usar camadas que deixassem seu corpo sem forma. E essa foi a aposta para o inverno 2018 de marcas como Marc Jacobs — o desfile foi muiiiito haute couture dos anos 80, até na escolha dos cores da coleção —, Miu Miu — que meio que trouxe um ABC da moda, nas palavras da Vogue Brasil, com o layering nos looks bem anos 80, com a beleza à la anos 60, com óculos anos 50… — e Balenciaga, que sob o comando de Demna Gvasalia (outro que eu sou fã de carteirinha!) trouxe um visual de uma espécie de paraíso de snowboarders bem do início dos anos 90, naquela ideia das muitas muitas camadas pra se proteger do frio, bem influência do layering dos anos 80!

Falando em anos 80, a gente sai do super oversized e caminha pra outra tendência mega tendência dos anos 80, que foram as ombreiras. No caso, se você procurar, pode ser que você não encontre uma referência específica às ombreiras, mas sim ao power-dressing, até porque as ombreiras fizeram parte da construção desse shape da vestimenta poderosa! E se a gente voltar naquela história de contexto da época, o power-dressing tem muito a ver com o que a gente está vivendo, esse destaque da mulher, essa imposição, essa autoridade feminina. Nos anos 80, por exemplo, o power-dressing foi o símbolo da mulher que podia dominar o mundo dos negócios e ser feminina também (até porque, uma coisa não exclui a outra, óbvio!) e as marcas trazendo as ombreiras para o seu inverno 2018, inundam o mundo fashion desse ar super poderoso que a ombreira dos anos 80 tem, até porque não é qualquer ombreira é A OMBREIRA! As marcas trouxeram para as passarelas, ombros bem pontudos e evidentes e uma cinturinha vespa super marcada, como a Saint Laurent, ou uma ombreira combinada a uma leve marcação da cintura na alfaiataria, como a Tom Ford e a Alexander McQueen.

E aí, qual dessas tendências você acha que vai valer seu revival? Me conta!!!!

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