Tudo que você precisa saber sobre glúten

DICAS

Tenho uma suuuper novidade para vocês hoje, que tenho certeza que vocês vão amar reeeal… É com muita honra, que apresento o novo colaborador do blog: o Dr. Guilherme Renke!

Dr. Guilherme é endocrinologista e vai trazer vários temas incríveis pra poder tirar aquelas dúvidas que a gente sempre tem — eu, por exemplo, sou daquelas que tem um monte! E pra começar os posts em grande estilo, ele escolheu um tema babadeiro, super polêmico e que você precisa saber tim tim por tim tim:

Mas afinal o que é o glúten?gluten1

O glúten é uma proteína amorfa encontrada no trigo, no centeio e na cevada. O mais consumido deles é o trigo e nele o glúten é formado, ao contrário do que se pensa, pelo processo de mistura e aquecimento das prolaminas (gliadina e a glutenina) com a água.

O glúten é considerado um dos maiores componentes alimentares que podem deflagrar um sintoma gastrointestinal, como cita um estudo publicado em 2011 no American Journal of Gastroenterology: “mesmo em pacientes sem doença celíaca, a ingestão do glúten pode causar sintomas gastrointestinais como dor, distensão abdominal, alteração de consistência fecal e cansaço.”.

Além dos sintomas gastrointestinais, parece haver uma relação do glúten com o sistema imune a nível global, o que pode explicar a ocorrência de sintomas extra intestinais relacionados com o glúten como: cefaléia, eczema ou rash cutâneo, fadiga crônica, depressão, anemia e dores articulares.

Em quais alimentos podemos encontrar o glúten?

  1. Farinha de trigo
  2. Cerveja
  3. Pães, torradas e pizzas
  4. Bolos e tortas
  5. Biscoitos, bolachas e cookies
  6. Doces e barra de cereais
  7. Cereais matinais
  8. Massas e macarrão instantâneo
  9. Molhos e temperos industrializados (tomate, molho de soja)
  10. Salgadinhos e batata frita
  11. Maioria dos produtos com soja
  12. Alguns queijos, maionese e ketchup
  13. Carnes processadas e salsichas

Qual a diferença: alergia ao trigo, doença celíaca e sensibilidade ao glúten?

As alterações relacionadas ao glúten são classificadas de acordo com seu mecanismo imunológico: autoimune, alérgico e aquelas que não são autoimunes ou alérgicas. A doença celíaca (prevalência de 0,5% na população) e a alergia ao trigo (prevalência de 1% na população) são os melhores exemplos de desordens autoimunes e alérgicas relacionadas ao glúten, respectivamente. Assim, quando o glúten causa sintomas gastrointestinais na ausência de doença celíaca ou alergia ao trigo, isso é considerado como sensibilidade ao glúten.

A sensibilidade ao glúten é uma condição que não é de natureza alérgica ou autoimune e que pode ser diagnosticada quando um indivíduo possui um sintoma gastrointestinal ou extra-intestinal relacionado com a ingestão do glúten que melhora com a sua exclusão e, também, quando a doença celíaca e a alergia ao trigo foram excluídas. De fato, não é possível fazer um diagnóstico de sensibilidade ao glúten através de marcadores laboratoriais, por isso, o diagnóstico é feito apenas por critérios clínicos.

Sensibilidade ao glúten e intolerância alimentar são coisas diferentes

Não se pode confundir, também, a sensibilidade ao glúten com uma intolerância alimentar porque os mecanismos são diferentes. A intolerância alimentar, com ou sem sintomas gastrointestinais, é uma reação adversa não imunológica que ocorre quando um nutriente não é completamente digerido devido a falta de enzimas digestivas ou ao excesso desse nutriente no trato gastrointestinal. As intolerâncias alimentares mais comuns são a lactose do leite e a fermentados de mono, di e oligossacarídeos, que apresentam sintomas diferentes da sensibilidade ao glúten.

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O estudo de Catassi mostra que estamos vivendo uma epidemia de doença celíaca e de sensibilidade ao glúten. Entre 2004 e 2010 mais de 5 mil pacientes foram avaliados pelo Centro de Pesquisa para Celíacos na Universidade de Maryland nos EUA. Desses indivíduos 6% foram classificados como portadores de sensibilidade ao glúten. Em alguns desses indivíduos os sintomas foram semelhantes ao da doença celíaca, no entanto, com maior prevalência dos sintomas extra-intestinais como: alterações do humor e do comportamento, dores ósseas e articulares, fadiga crônica  e câimbras musculares.

É aparente que as reações ao glúten não são limitadas a doença celíaca e reconhecemos a existência de um largo espectro de desordens relacionados ao glúten. A alta freqüência de diversos sintomas e reações adversas relacionadas com a sua ingestão levantam a questão sobre o glúten: porque essa proteína é tóxica para tantos indivíduos no mundo? Uma resposta pode estar na seleção genética pela qual o trigo passou nos últimos 10 mil anos o que aumentou significativamente a quantidade de glúten no trigo, ditado sim, por razões financeiras e não por razões nutricionais

Vale, contudo, ressaltar que uma alimentação com a exclusão do glúten sem a indicação médica e sem a orientação do nutricionista pode trazer danos a saúde e gerar deficiências nutricionais graves. Além disso, cabe ao profissional da saúde orientar e educar o seu paciente para evitar dietas restritivas e “da moda“ dando ênfase a programas de reeducação alimentar que possam trazer benefícios para a saúde a longo prazo.

E aí, que tal esse tanto de informação sobre o glúten? Deu pra tirar todas as dúvidas?

Ah, e se vocês tiverem um tema ou alguma dúvida, manda pra cá que de repente a sua dúvida pode virar um post beem bacana!


Guilherme Renke

Endocrinologia & Metabologia

CRM RJ 52.95096-3 / CRM SP 18344-2

Consultas RJ/SP: (21) 2147-2472 ou (21) 97695-9339

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